domingo, 8 de julho de 2012

sem titulo

        Nasci ha tempos, nú, feio e solitario. Abandonado pelas sortes do mundo, quem me criou contava historias e tempos idos, das dores de não ser nada.
    Cresci em meio as durezas da vida, alegrando-me nas alegrias de tantos iguais a mim, dos sorrisos alegres a minha volta, curioso aprendi cedo a sobreviver a todos que queriam-me morto , esquecido ou ainda que tentavam esconder de mim a luz do sol.
    Cresci aprendendo a malandragem da vida chorando as lagrimas de dores, cantanto ilusões perdidas e amores avulsos, sonhei com o mais alto degrau, comoseria olhar tudo la de cima?
Crescido ganhei as ruas, fugi, fui longe de mim, corri o mundo, ganhei formas, cores e tons. Falei de tudo, gritei alto, bem alto, as vozes todas que trazia ao peito e a voz que escondida na alma lembrava as palavras de onde nasci.
    Minha voz fez-se ao mundo e sem perceber perdi-me em mim mesmo, acolhendo a qualquer voz, acolhendo a tudo que me traziam, vestindo as finas modas e calçando distintos e nobres sapatos, quase me  esqueço de onde vim, restava apenas uma vaga lembrança de quem fui.
Agora eu era a força impunha aos outros  lado cruel do poder, nao importando quem tivesse ali, atingi o alto, os mais finos jardins do paraíso se abriam a mim, tinha a meu dispor todos os desejos da carne e da alma. Esqueci-me da dor de outrora, dos tempos sofridos apenas as cicatrizes cobertas de fino veludo.
Agora nos mais finos e alvos lençois que cobriam camas macias em quartos de luxos descansava meu corpo, esquecido da dureza do chão batido dos tempos o morro.
    Hoje ja velho, olho pra mim e percebo tudo que vivi, as alegrias e tristezas, percebo em mim ainda as energias de um menino, a vislumbrar um mundo novo de possibilidades, sons, tons e cores. Mas vejo tambem a alma desejosa de regressar ao lugar de inicio, subir as ladeiras dos morros reencontrar velhos amigos num velho bar e dizer apenas voltei pra casa...


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