domingo, 8 de julho de 2012

Imperfeito

Sou assim, um sonho perdido
Um olhar intenso, inconstante
Curioso em busca de que?
Estranho é perceber este lado
Assim em meio a tudo e todos
Me pergunto agora se sou eu
A pessoa que devo realmente ser?
Em meio a tantos outros que vejo
Pergunto o tempo todo se é real?
Esse meu medo de ter medos
Me comparo à brevissima vida
De um sorriso interrompido
Em um instante mutavel constante
Pergunto a mim....
Voce me viu hoje em meio a um sorriso
Imperfeito?

Tão eu assim?

Hoje me olhei no espelho
Olhei sem a pretensão de de ver
A beleza ou sua ausencia em mim
Apenas olhei no espelho... olhei só
E o que vi no reflexo, além da minha cara?
Vi a mim apenas desnudo de mim
Apreciei  por breve instante... quase eterno...
Meu olhar ali perdido, assustado e distante
Foi estranho, senti que eu me via ali....
Via meu rosto, olhos, boca, cabelos
Mas meu olhar me buscava ao longe....
Onde eu afinal estaria naquele momento?
Estava eu assim tao distante, tao longe...
Que nao me encontrava realmente ali
Olhei hoje no espelho sem buscar repostas
Respostas para esse meu vazio todo
Vi meu rosto mudado, barba por fazer...
Meu olhar tão perdido, meus cabelos a branquear.
Me vi no espelho e percebi naquele instante
Que nunca fui tão eu assim

sem titulo

        Nasci ha tempos, nú, feio e solitario. Abandonado pelas sortes do mundo, quem me criou contava historias e tempos idos, das dores de não ser nada.
    Cresci em meio as durezas da vida, alegrando-me nas alegrias de tantos iguais a mim, dos sorrisos alegres a minha volta, curioso aprendi cedo a sobreviver a todos que queriam-me morto , esquecido ou ainda que tentavam esconder de mim a luz do sol.
    Cresci aprendendo a malandragem da vida chorando as lagrimas de dores, cantanto ilusões perdidas e amores avulsos, sonhei com o mais alto degrau, comoseria olhar tudo la de cima?
Crescido ganhei as ruas, fugi, fui longe de mim, corri o mundo, ganhei formas, cores e tons. Falei de tudo, gritei alto, bem alto, as vozes todas que trazia ao peito e a voz que escondida na alma lembrava as palavras de onde nasci.
    Minha voz fez-se ao mundo e sem perceber perdi-me em mim mesmo, acolhendo a qualquer voz, acolhendo a tudo que me traziam, vestindo as finas modas e calçando distintos e nobres sapatos, quase me  esqueço de onde vim, restava apenas uma vaga lembrança de quem fui.
Agora eu era a força impunha aos outros  lado cruel do poder, nao importando quem tivesse ali, atingi o alto, os mais finos jardins do paraíso se abriam a mim, tinha a meu dispor todos os desejos da carne e da alma. Esqueci-me da dor de outrora, dos tempos sofridos apenas as cicatrizes cobertas de fino veludo.
Agora nos mais finos e alvos lençois que cobriam camas macias em quartos de luxos descansava meu corpo, esquecido da dureza do chão batido dos tempos o morro.
    Hoje ja velho, olho pra mim e percebo tudo que vivi, as alegrias e tristezas, percebo em mim ainda as energias de um menino, a vislumbrar um mundo novo de possibilidades, sons, tons e cores. Mas vejo tambem a alma desejosa de regressar ao lugar de inicio, subir as ladeiras dos morros reencontrar velhos amigos num velho bar e dizer apenas voltei pra casa...


esses dias

Se eu tentar compreender o que se passa por estes dias certamente me chamarei louco, sinto simplesmente um impulso estranho me levando ao temivel desconhecido, o medo, a angustia e o nervosismo tomam conta de minha alma, mas o desejo de ir além lança-me a inercia e deleite deste prazer extasiante de viver essa é minha loucura presente.

confesso que aprendi mais sobre mim que em qualquer tempo e apenas sei que não estou tao seguro de tudo que vivi, mas o certo e que não tive medo de viver

sábado, 7 de julho de 2012

DIAS MALUCOS

Talvez seja so uma maluca viagem ou não o fato é que olhares dizem mais, desnudam o íntimo, mostram o que somos e de que somos... Olhares tantas vezes discretos, outras tantas diretos, famintos, explicitos... Olhares pedem corpos se mostram, as vezes num cruzar de pernas, outros uma saia que se abre e mostra que sabe o desejo alheio, mostra o segredo que se esconde na mente que desnuda a pele e descobre o intimo...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

nao quero ser mais um cadaver que procria


Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou o meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

 (FERNANDO PESSOA)

 Sobre a vida que insistimos em carregar sobre os ombros, como um carma, um encosto de rotina que exclui de todos a beleza infindavel da loucura.
Saberei eu aprender um novo modo de deixar aquela loucura pueril, adormecida a tanto novamente despertar trazendo a minha vida cores que eu finjo nao ver.
Basta grito eu a realidade humana, quero ser novamente um animal e viver sem medos apenas viver, viver sim a vida que muitos de voces chamarão de loucura.

Não quero realmente ser como disse Pessoa um cadaver adiado 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

sobre quem sou eu

E estranho falar sobre si mesmo, mesmo quando mais do que ninguém voce se conhece, sabe tudo de si, mas teme deixar escapar, por entre as pequenas coisas do seu cotidiano, as verdadeiras faces do seu espirito.
Falar é estranho pois, ao que pare é o que nos torna diferentes, fazemos tudo pra existir como se nada diferente acontecesse.
Passamos indiferentes pelas ruas a olhar a esmo vitrines, carros placas e sinais, fingimos nao ver olhos, vemos corpos, bocas, desejos, mas olhos....







Sou eu assim o oposto de mim, vivendo a cada segundo uma imensidão de desejos, reprimindo tantos outros, vou assim fazer minha caminhada por este mundo estranhamente sensual.